Category: Irmã da Divina Providência

Diário de Ir. Eliete kons

Minha história é de muito amor, entrega, descobertas e desafios!

Minha frase força é: “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Filipenses 4, 13

Agosto é o mês das vocações e uma forma que podemos contribuir é dando o nosso sim todos os dias e rezando pelas vocações. Sou Irmã Eliete Maria Kons, filha de Irineu José Kons e Filomena Will Kons. Sou natural do bairro Potecas – na grande Florianópolis. Pois então: Fui convidada para falar um pouco da minha vocação, a qual estou celebrando 25 anos de Vida Religiosa Consagrada. Toda história tem um começo, a minha não foi diferente. Desde pequena fui muito incentivada a oração. Todas as noites rezávamos o terço e nas refeições agradecíamos o alimento.

Minha família costumava receber a visita de um casal muito piedoso, que me chamavam muito à atenção, especialmente pelo jeito como eles rezavam. Então pensava comigo: quando eu crescer quero ser assim. Hoje percebo que minha vocação já era alimentada desde criança e que precisava de uma resposta constante através das pequenas coisas que eu realizava. E assim, ela foi se desenvolvendo ao longo dos anos. Quando adolescente minha participação na comunidade não era tão frequente, pois nem sempre podíamos participar da missa, devido a distancia da capela e também porque alguém precisava ficar em casa para cuidar dos irmãos menores. Então nos revessávamos em família. Como só tínhamos missa na comunidade uma vez por mês, ir à missa era nosso divertimento e nosso lazer. Quando não podíamos participar, ouvíamos pelo rádio e eu ficava encantada com as músicas e a mensagem do Padre. Pensava comigo, como deveria ser importante a participar da missa, pois, minha mãe parava tudo para ouvir. Assim fui aprendendo que com as coisas de Deus não se brinca.

Minha mãe me ensinou a cultivar uma vida de muita oração, a qual considero muito importante para o meu despertar vocacional. Desde criança também gostava muita da música. Meu sonho era ser cantora, cantar cantos da igreja. Lembro de quando recebi meu primeiro violão. Que alegria! Mas como aprender a tocar? Uma vez que morávamos no interior, não tinha alguém que pudesse me ensinar. Então quando ia nas missas levava uma folha e anotava as posições que os músicos tocavam e assim com meu esforço fui aprendendo. Também gostava de ouvir as músicas no rádio e tentava tirar no violão até dar certo. Levei um bom tempo para aprender em especial para tocar na igreja que era meu sonho.

Na congregação da Irmãs da Divina Providência é que tive a oportunidade de aprofundar esse dom e hoje, graças a Deus, posso dizer que fazem muitos anos que toco na igreja com muita alegria. Mas a descoberta vocacional mesmo, aconteceu quando estava saindo da adolescência e entrando na juventude. Eu me encontrava nos degraus do salão paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Caqueiros Grande Florianópolis, quando uma senhora muito sorridente, hoje em memória, Dona Dulce Pedroso, se aproximou de mim e disse perceber uma necessidade em meus olhos e perguntou se gostaria de participar do estudo bíblico que iria iniciar com o método de Santo Inácio Laranhaga. Eu em minha simplicidade disse que sim. Só precisava conversar com minha patroa D. Lurdes e seu Fernando Boing os quais muito colaboraram para que eu pudesse iniciar essa nova caminhada. E a partir desse dia minha vida, meus planos passaram a mudar!

Nesse grupo de oração, fui convidada para um retiro com o grupo de jovens da Paróquia. Nesse retiro, através de um relax conduzido pelo coordenador do grupo, senti que Deus me chamava para algo a mais do que vinha realizando. Tinha o desejo de ajudar e tornar Jesus mais conhecido e amado. Mas não sabia como fazer. Foi quando a partir daí, duas leigas consagradas Dona Dulce e Dona Nelsi se ofereceram a iniciar um processo de acompanhamento vocacional comigo. Me apresentaram às Irmãs, onde iniciei a formação e minha alfabetização, a qual não tive oportunidade quando criança, devido a distância da escola. Em poucos meses passei a morar com as Irmãs.  Quanta alegria eu sentia. Adorava ouvir as Irmãs de manhã, bem cedo, quando rezavam a liturgia das horas. Pensava comigo, um dia vou poder rezar essa oração com as Irmãs também.

Precisei de um tempo maior na formação devido às etapas que precisava vencer no estudo acadêmico ao qual fui me preparando para o magistério e a Pedagogia que tanto almejava. Muitas dificuldades encontrei, principalmente por ter sido um processo de estudo supletivo desde as series inicias até o 8º ano, onde precisava fazer as descobertas sozinha nas disciplinas. Me faltava a base das series iniciais e a convivência em sala de aula. Mas aos poucos fui vencendo, uma etapa de cada vez, tanto na formação religiosa como na acadêmica, pois Deus Providência nunca me abandonou e as Irmãs e minha família sempre me incentivaram a lutar pelos estudos. Fui aprendendo que seguir a vocação para a Vida Consagrada não era tão simples assim. Surgiam questionamentos, mas ao mesmo tempo, tinha convicção de que era preciso se lançar.

Muitas pessoas passaram pelo meu caminho ao longo desses 25 anos de Vida Consagrada, minha família, as Irmãs da Divina Providencia, Sacerdotes, Vocacionadas, Seminaristas, Leigos, Leigas por onde atuei e atuo na missão principalmente na área da educação, onde cada uma/um marcou minha história de alguma forma através do testemunho e da presença. Destaco a graça que Deus me deu de conhecer a Obra Pontifícia da Infância e Adolescência Missionária a qual faço parte a 10 anos ajudando crianças e adolescentes a conhecerem Jesus mais de perto, proporcionando com que meu sonho vocacional se tornasse uma realidade.

Com tudo também, a vida nos surpreende muitas vezes. Ao longo desses 25 anos passei por muitos momentos de alegrias, conquistas, realizações, mas também por dificuldades entre elas com a saúde frágil a qual me deixou bastante debilitada para desenvolver meu trabalho e missão. Também tive a perda de meus pais num intervalo de 13 dias. Depois perdemos um irmão após 4 meses do falecimento de meus pais e depois de 3 anos mais um irmão faleceu com câncer. Para mim e minha família foi muito difícil lidar com essa situação, pois nunca tínhamos perdido alguém próximo e de repente fomos pegos de surpresa com a partida de quatro membros. Mas Deus não abandona seus eleitos. Ele escolheu, Ele capacita para sermos seus filhos e filhas muito amados. Não temos duvidas, como família, que Deus nos ampara cada dia e nos fortalece na fé para prosseguirmos em nossa missão.

Por isso, só tenho a agradecer as muitas vivências, as bênçãos e graças recebidas das mãos da Divina Providência. Minha gratidão a Deus que me possibilitou realizar esta caminhada estando sob sua proteção. Minha gratidão a todos aqueles que me acompanharam até aqui: Em especial as Irmãs da Divina Providência, meus pais em memória, minha família, as comunidades religiosas por onde passei e realizei a missão que Deus me confia. Minhas orações e muito obrigada!

Queridas vocacionadas, cultivemos sempre em nossas vidas a fé inabalável, a confiança ilimitada e o abandono filial nas mãos da Divina Providencia, testemunhando a esperança cristã e o amor de Deus, em especial aos mais pobres. Você que já sentiu ou sente em seu coração algo diferente? Fique atenta, pois pode ser Deus lhe chamando! Não tenha medo de dizer sim, pois quando Deus chama, Ele nos dá as condições necessárias para vivermos e concretizarmos esse chamado, mesmo que nas dificuldades. Pois é nas dificuldades que nos tornamos fortes. Deus nos convida a sermos Sinais da Divina Providencia, lá onde estamos atuando a cada dia, em especial no caminho das pequenas coisas. Que a Divina Providencia nos abençoe e nos guarde, nos mostre a sua face e tenha misericórdia de nós. Volva para nós seu olhar e nos dê a paz.

Irmã Eliete Maria Kons

 

  

Diário de Ir. Irmã Cléria Wickert

Sou Irmã Cléria Wickert, Congregação das Irmãs da Divina Providência, natural de Iporã do Oeste – SC e venho contar um pouco da minha missão junto as crianças do Centro Social Divina Providência, que neste ano de 2021 celebra seus 15 anos de história e missão. Vamos conhecer um pouco….

O Centro Social Divina Providência, Projeto Reaprender a Cidadania está localizado no Bairro Vila Verde – Cidade Industrial de Curitiba. A maioria das famílias migraram do interior do Paraná na ilusão de morar na grande cidade, porém, sem recursos para comprar um terreno e casa, as famílias ocuparam terrenos de invasão e ali foram se instalando, passando a viver em condições extremamente precárias e de muita pobreza.

Existem pequenos comércios, no entanto, a maioria das famílias que tem crianças atendidas no projeto possuem trabalho informal e outras trabalham como catadores de lixo reciclado.

No ano de 1987, as Irmãs da Divina Providência iniciaram uma comunidade de missão junto a população do Bairro Vila Verde. Inicialmente morando com as famílias embaixo de barracos de lona, atendendo e acompanhando o povo em suas diversas situações de pobreza. Juntas com o povo lutaram por melhorias no bairro, reivindicando por escolas e creches, posto de saúde, segurança, construção de igrejas católicas, pastoral da criança e outras iniciativas em favor da vida.

Mas a população estava crescendo e os espaços públicos que atendiam as crianças já não comportava a demanda, sensibilizadas com o alto número de crianças que ficavam pelas ruas, vulneráveis à violência, estupros, drogas, gravidez precoce e outras situações, enquanto os pais eram obrigados a sair em busca de trabalho, as Irmãs, no ano de 2006, adquiriram um pequeno imóvel onde passou-se a atender as crianças com atividades sócio educativas.

Hoje, as Irmãs continuam atendendo a população em geral, mas dando especial atenção às crianças entre 05 a 13 anos de idade. São 70 crianças atendidas no momento, todas moradoras do bairro e provenientes de famílias de baixa renda que necessitam deste espaço, oferecendo atividades como Capoeira, Ballet, música, artesanato e informática, Tivemos que assumir esses critérios no acolhimento às crianças, devido à falta de espaço físico no Projeto. Neste espaço procura-se criar um ambiente alegre e prazeroso, com diversas atividades, com o objetivo de proporcionar atividades que despertem a criança para uma consciência de cidadania, aprendendo quais são seus direitos e deveres, bem como a autoestima, autoconfiança, o respeito com as diferenças, o cuidado com a vida humana e com a natureza.

Hoje andamos nas ruas e percebemos uma necessidade do momento “Ser sinal da Providência” para as pessoas que mais precisam do nosso apoio, ajuda, principalmente as crianças e adolescentes. Queremos ser Providência lá onde a pobreza está dominando. Também queremos ser Providência, lá onde se percebe que existe um povo com o coração solidário disposto a ajudar a quem mais precisa.

 

Diário de Ir. Maria de Nazaré

CONHECENDO IRMÃ MARIA DE NAZARÉ.

É com alegria que chego a cada uma/um de vocês, para partilhar um pouco da minha história vocacional. Sou Irmã Maria de Nazaré da Silva, nasci no dia 23 de agosto de 1993, na cidade Caiapônia. Sou a caçula entre 13 irmãos, filha do casal José Macena da Silva e Maria Pereira da Silva (Falecido).

Minha família e minha comunidade foram o terreno onde minha vocação nasceu e foi cultivada. Meus pais, em sua humildade, ofereceram-me o maior presente que uma família pode oferecer a seus filhos: a oportunidade de conhecer e amar Jesus Cristo, através da vida em comunidade. A partir da minha experiência de oração, entendi que o despertar das vocações acontece com naturalidade em uma família que vive e ensina os valores cristãos.

Iniciei meu acompanhamento com o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Igreja Matriz e a Participei de encontros vocacionais da Diocese de São Luís de Montes Belos. Com o passar do tempo, fui percebendo que a vocação é dom e mistério que somente com a abertura de coração e oração, Deus se manifesta. Em 2009, conheci algumas Irmãs da Divina Providência na Diocese. No ano de 2010, fiz meu primeiro ano de experiência vocacional na Comunidade Jesus Missionário, na cidade de São Luiz de Montes Belos onde fui amadurecendo minha vocação, superando desafios, conhecendo aos poucos a história da Congregação, Carisma, Espiritualidade e Missão. Uma experiência que sempre me toca é a minha presença e doação entre as crianças, jovens e famílias carentes na Missão em Aparecida de Goiânia, juntamente com as Irmãs: Elizete Ferreira, Rosalice e Colaboradores da Instituição. O projeto Escola Centro de Valorização do Adolescente e da Mulher (ECOVAM) e Creche Coração de Jesus foi fundado pelas Irmãs do Instituto Abrigo Coração de Jesus, de Cremona- Itália, e os Amici Dell Ecovam. Hoje a Missão continua através das Irmãs da Divina Providência, tendo Deus como nossa força e inspiração, a serviço da Vida, principalmente através dos que precisam do amor de Deus e do nosso. Louvo a Deus por toda vivência, testemunho e experiência de amor. Gratidão à Congregação, que por meio da Província do Coração de Jesus, tanto colaborou com minha formação, me incentivando, sendo apoio, principalmente, nos momentos desafiadores do dia a dia.

A todos os jovens digo: – Vale à pena responder ao chamado de Deus, se dispor à sua vontade! Vale à pena oferecer a vida em serviço!

Haverá abertura da Semana Vocacional no dia 04/07/21, será transmitido pelas Redes sociais através do Instagram (ParóquiaDEScpa) e Facebook (Paróquia Divino Espírito Santo) todos os dias, às 19:30hs. Agora me preparo para os Votos Perpétuos, que acontecerá na cidade de Caiapônia-Go, no dia 17 de Julho, às 18h30min. Conto com vossas orações! Não deixem de participar, venham rezar conosco.

Que nunca tenhamos medo que dizer sim a Deus. Que Maria, nos auxilie em nossas escolhas.

Diário 24: Partilha Missionária de Ir. Maristela Christiano na Indonésia

 

Sou Irmã Maristela Christiano sou Irmã da Divina Providencia a 28 anos, quero partilhar com vocês um pouco da experiência do Amor da Providência de Deus em Minha Vida. Vocação é um chamado de Deus, que nos amou por primeiro, escolheu-nos desde o ventre materno, para sermos filhos e filhas amados. Por isso todos somos chamado somos vocacionados, e nosso primeiro chamado foi a vida, nós nascemos temos uma missão a realizar. E se vocação é chamado requer um resposta. Certo?  Eu acredito que a descoberta da vocação é sempre um processo, eu senti meu primeiro chamado vocacional ainda como criança no dia da minha primeira eucaristia quando eu tinha 9 anos, foi através da vida de oração participação no grupo de jovem da paróquia e do acompanhamento vocacional que pude discernir melhor que minha vocação era para a Vida Religiosa.

Nasci em Brusque, e com 18 anos decidir seguir a Vida Religiosa, ingressando assim na Congregação das Irmãs da Divina Providencia.  Como Irmã da Divina Providencia sempre atuei na educação e formação junto a juventude. Sou muito feliz por escolher doar a minha vida com consagrada.  “Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”

Indonésia um sonho que virou realidade. Chegou o dia. 09 de fevereiro de 2019. Feliz é quem parte, quem anda e quem vai, certeza na frente, história nas mãos. Feliz é quem crê na promessa do Pai, consagra sua vida em favor dos irmãos. Tempo de Deus, vivencia única, encontros, orações, irmandade, alegrias, saudades, comunhão, aprendizado, missão… Palavras que exprimem sentimentos vividos de um coração agradecido. Ser estrangeira está sendo uma experiência única. Mas requer ENORME capacidade de solidão e adaptação. Sobretudo no aprendizado da língua e no choque cultural que são elementos bastante exigente. Exige abertura de coração e mente.

Nos primeiros meses, estive em adaptação para entrar em um ritmo diferente e conhecer as realidades. É complicado e confuso, mas, aos poucos, Deus vai mostrando a graça se estar aqui e você vai se esvaziando. Seu olhar brasileiro vai sendo deixado de lado, as situações vividas começam a ser compreendidas dentro da nova realidade, com o olhar da cultura local. Você aprende os dialetos, a nova maneira de cozinhar, muda o jeito de se vestir e seus conceitos. As responsabilidades chegam e você aprende a se adequar. Toda esta experiência está me fazendo crescer e alargando meu horizonte de ver o mundo, a cultura e religiosidade. Saindo de uma visão local e ampliando uma visão geral. Bem interessante isso.

Durante toda esta minha trajetória de vida o que sempre me moveu foi o desejo, desejo de fazer e ser mais, colocando-me à disposição para ajudar as pessoas. E sempre me perguntando: Qual é o desejo de Deus pra minha vida? O desejo de Deus é muito íntimo. Ele faz o convite a cada pessoa. Cabe a nós ouvir esse chamado. Chamado a viver, trabalhar, respirar, sentir, falar, namorar, amar, se apaixonar, a ser feliz. “Ficai atentos”, pois esse convite pode vir a nós de várias formas e jeitos, e a qualquer momento. Só vamos conseguir ouvi-lo se estivermos atentos e de coração aberto.

Em um ano e meio que estou aqui, a alegria de ser cuidada e amada me faz encontrar um Deus repleto de cheiro, olhares, toques, sons e sabores. Ganhei novas amizades de irmãs e amigos que sei eu estão comigo pra sempre. Mudei meu português e ganhei para vida a língua Indonésia.  Minha estadia aqui está resignificando minha vida e meus conceitos de felicidade, amor, necessidade, consumo, maternidade, cultura e tantos outros.

Gratidão a Deus e a Congregação por me dar este presente, esta oportunidade em viver esta experiência. Rezem por mim que estarei rezando por vocês.

Terima kasih

Tuhan Memberkat!!

 

 

Diário 23: Partilha Missionária da Comunidade Virgem de Guardalupe

Somos as Irmãs da Divina Providência, Congregação que foi fundada pelo Padre Eduardo Michelis na Alemanha em 3 de novembro de 1842.

Existem várias áreas de Missão que realizamos pelo mundo inteiro, em especial compartilharemos com vocês uma das missões que realizamos como Congregação em Santa Cruz de la Sierra Bolívia, terra que nos recebeu com muito carinho. Colaboramos em diversas áreas pastorais, mas hoje, falaremos sobre o serviço da pastoral da saúde com a medicina natural alternativa “ Bio Salud”, iniciada pela Irmã Rosa Heisler desde 1998 na Paróquia Sagrados Corações de Jesus y Maria, onde ainda atuamos.

Nestes tempos de pandemia, era um desafio poder dar esperança aos nossos irmãos e irmãs. Nosso serviço é feito na acolhida e atendimento de muitas pessoas através da medicina natural e da promoção da escuta e cuidado com a saúde de forma integral. Agimos com dedicação e carinho, na esperança de aliviar a dor e o sofrimento dos doentes. Como comunidade, sem nos expor ao vírus, temos sido capazes de dar esperança nesta missão que é feita confiando que Deus também ouve nossas orações para a recuperação de cada pessoa doente. Durante este tempo, Deus nunca falhou conosco, a crise afeta a todos, mas nossa confiança está em Deus e Nele podemos testemunhar seu amor na recuperação de muitos irmãos que já se curaram com as plantas que Deus criou com amor.

Queremos agradecer a Deus por todo o bem recebido; agradecer a todas as pessoas que nos apoiam e confiam em nós, agradecemos ao nosso pároco Juan Carlos Puma. Nesta árdua missão antes da pandemia tivemos voluntários que generosamente doaram seu Serviço para os doentes. Deus os abençoe onde quer que estejam.

Com um pequeno vídeo, que está no facebook e instagram, contamos um pouco do que fazemos generosamente na simplicidade e alegria que caracteriza nosso ser de  Irmãs da Divina Providência. Desejamos que  Deus abençoe suas vidas hoje e para sempre.

Diário 22: Superação do covid 19 de Ir. Erna Hammes

“Posso afirmar que vivi um tempo muito bom e que me deu várias lições de vida que estão me ajudando bastante. Primeiro, estava um tanto triste por me encontrar sozinha, sem ninguém para conversar. Tive que me animar a mim mesma e foi o que fiz: convidei meu Anjo da Guarda e Maria para eu ter com quem conversar. Foi uma experiência muito linda! Comecei a falar em voz alta, a contar o que estava sentindo, o que gostaria de fazer, lembrei coisas do passado… Isto foi bem interessante. Sentia que, tanto o Anjo da Guarda como Maria, me escutavam e me inspiravam respos-tas. Eu já não estava mais sozinha. Assim, aprendi muita coisa e fiquei bem enriquecida. Eu tive dias bem agradáveis, não senti dor, a única coisa desagradável foi um desconforto intestinal, mas nem tanto assim. Quando tinham passado os 15 dias de quarentena, eu já estava bem boa, mas tive receio de voltar para Comunidade: eu pensava que as Irmãs teriam medo de que eu lhes transmitiria o vírus. A Equipe de Enfermagem me convenceu de que isto não era verdade e que todas estavam aguardando a minha volta. E assim foi: quando cheguei ao refeitório, todas bateram palmas e me acolheram com muita alegria. Fiquei feliz e continuo bem e, o melhor de tudo, fui muito enriquecida com tudo o que aprendi durante os dias de isolamento”.

Diário 19: História Vocacional de Ir. Lourdes Buttini

ERAS TU, PROVIDÊNCIA DIVINA ?!

…presente no luar cristalino, na noite de 20 de agosto de 1940, quando os pais Elisa e Alfredo João me colocaram dentro da vida. Na pia batismal, já no mês de setembro do mesmo ano, ali Estavas quando na luz da fé dos pais e padrinhos olhaste em meus olhos e me chamaste Lourdes, enquanto tatuavas meu nome na palma da tua mão. Num ambiente de fé e oração, vivi os primeiros anos no sacrário da natureza exuberante e, na inocência rezava: “Ave Êie, cheia de graça” por não conseguir pronunciar o nome de Maria. Aos 7 anos, recebia a unção do Espírito Santo, pelo sacramento do Crisma e lá estavas derramando amor no coração, enquanto me preparavas para uma vida de fé e testemunho.

Era também tua presença, espargindo magia nas noites de Natal, quando o céu se unia à terra trazendo ternura e encantamento. Ao ir à capela do vilarejo me Ensinaste a rezar no exemplo do pai, que se ajoelhava reverente, com os olhos fixos no altar, permanecia em silencioso, em oração…então me ajoelhava também e rezava. Em noites de luar eras presente , nos passos trôpegos do pai cansado, rezando os 12 Pai nossos da Ordem Terceira franciscana, na calçada, em frente da casa.. Quem era, senão Tu? Na preocupação piedosa da mãe em ensinar o catecismo que me preparava para a 1ª Comunhão. Permanecias ao meu lado nas tardes nostálgicas de Domingo quando a mãe me envolvia no sagrado, cantando prolongadas Loas. Com certeza estavas presente na decisão do pai em adquirir livros de santos que fortaleciam sonhos de algo maior, com mais sentido pra vida.

Estavas, também na fascinação das histórias narradas com emoção pela mãe sobre vestições no convento de Garibaldi. Enchia-me de misterioso encantamento pela VRC e repetia no segredo do coração: ”Quero ser esposa de Jesus”! Estavas ao meu lado, posso assegurar, quando aos 8 anos, do sobrado da casa encarreguei o vento para Te entregar um sigiloso bilhete que falava do desejo de ser tua “esposa”.: inteiramente tua. Quanta emoção e certeza! A ideia me fascinava…Na graça do chamado à VRC que evocara desde cedo no silêncio do coração Tu me amavas sem te compreender. Queria Te seguir! Com certeza eras Tu que querias em mim.. No juvenato quantas saudades na adaptação e por que não desistir? Por quê? Donde veio tanta força e convicção? Sem dúvida, eras Tu- Providência divina, me tomando pela mão- sem que olhasse para trás. Na vestição quanto enlevo ao pronunciar “sou esposa Daquele a quem o sol e a lua servem…”! E quando na Vida Religiosa, adentro, imersa na realidade do tempo, ouvi Teus clamores na voz dos oprimidos e” nunca mais pude olhar o mundo sem sentir aquilo que JESUS sentia…”Eis-me aqui, Providência Divina”.

Ir. Lourdes Buttini

Diário 14: História da Vocação da Irmã Arlete

Com a idade de 08 anos fiz a Primeira Comunhão. A partir daí comecei a cultivar em mim o desejo de uma vida totalmente voltada à oração. Morávamos bem no interior, o padre vinha uma vez por mês para celebrar a Missa. Não conhecia nenhuma congregação, mas cultivei este desejo passando horas a fio pensando como realizá-lo, à noite perdia o sono e rezava muito e a imaginação dava continuidade à minha oração e assim adormecia. Quando aprendi a ler, peguei o livro de oração da mãe, encontrei a Via Sacra, comecei então a rezar, levava 14 dias pois rezava uma estação por dia, quase decorava, não sabia que era a Via Sacra, mas à medida que ia lendo fazia muitas perguntas e a mãe pacientemente ia respondendo e explicando tudo enquanto fazia comida ou remendava nossas roupas, foi a melhor catequese que tive. A família é a mais bela e melhor escola. Os grandes ideais que nos acompanham na vida, tem sua origem na família.
Morávamos em Barreiros à 7k de Bom Retiro SC e em 1952 nossa família mudou-se para Francisco Beltrão PR. Foi aí que vi Irmãs que davam catequese e não pude participar porque já tinha feito. Com presença das Irmãs senti meu sonho quase realizado, meus pais se opuseram. Nunca tive oportunidade de conversar com elas, pois nos mudamos para Salgado Filho 70k de distância. Lá tínhamos Missa de vez enquando nem era todo mês. Minha mãe não se acostumou no local e queria voltar para SC.

Rezávamos o terço todas as noites, eu recorri para Nossa Senhora, e após o terço em família eu rezava mais um dirigido diretamente a NS de Fátima pedindo duas coisas: o retorno à SC e a realização do meu sonho. Após 5 anos, fomos morar em São José do Serrito SC, perto de Lages. Quando meus iam para a cidade eu pedia para verem se tinha lugar para mim no colégio das Irmãs e sempre voltavam dizendo que não tinha. Certo dia a mãe me contou que nem no colégio eles iam. Dia 20 de janeiro de 1958 o pai falou que dia 11 de fevereiro ele iria à Lages para ver se conseguia vender o milho que colheu, iria com D. Tereza de carona. Não perdi tempo, procurei num baú, peguei minha certidão de nascimento e outros documentos que tinham o meu nome e arrumei duas mudas de roupa pois éramos bastante pobres. Na hora da saída eu disse: pai eu vou junto, e ele não me impediu. Pedi para D. Tereza para ir na casa das Irmãs. Ela me levou no Colégio Santa Rosa/Lages. Foi a primeira vez que me vi frente a frente com uma Irmã. A Irmã superiora Otônia me recebeu e ali mesmo, foi logo dizendo não podia me aceitar, pois, no pensionato não havia mais vaga, e eu dizia: eu durmo até no chão em qualquer lugar, mas eu quero ficar Irmã, nisto chaga a Irmã Otilde e diz Irmã Superiora se Deus chamou a senhora também tem que aceitar. Eu pensei comigo: ‘ninguém me chamou, estou aqui porque eu quero’. Ainda não entendia do chamado à vocação. Foi a minha salvação. Mas quando a Ir. Otônia se despediu do pai ela disse para ele vir me buscar no outro dia e eu escutei, ao me despedir do pai eu disse, se ele quisesse me visitar depois de um mês. Me acostumei logo, alias desde o primeiro dia já me sentia em casa, apesar de ‘chucrinha’, nunca tinha saído de casa. Fui trabalhar com Irmã Otilde que tinha escutado a conversa com Irmã Superiora; me aconselhou muito e me ajudou mais ainda.

Com o primeiro passo dado as resistências em casa aumentaram quando ia de férias, a volta era sempre um drama especialmente por parte da minha irmã mais velha com promeças e ameaças. Fiquei dois anos em Lages, um só trabalhando e outro trabalhando e estudando conclui o 4º ano primário. Tinha uma professora Valdete, muito querida por todos, e escrevi uma frase que ela pronunciou e que a levo quase como um lema de vida: “O QUE MERECE SER FIETO, MERECE SER BEM FEITO”.
Aos Domingos eu tinha folga, então ia para a Catedral e participava de todas as missas do período da manhã, pois o harmônio só funcionava com a ajuda do cata-vento e este era manual. A Irmã Albina era a organista e ficava muito contente pois assim ela não precisava ficar procurando alguém voluntário em cada missa pois ela também tocava em todas as missas.

Irmã Arlene (Carlina Bruder)

Diário 13: Depoimento de uma postulante

Minha gratidão a Deus porque me escolheu e me capacita para uma grande missão!

Começo o meu diário falando um pouco sobre mim. Sou Marceliane Andrade Marques, tenho 21 anos e sou a primeira filha de seis irmãos. Nasci na região de Santarém-PA, mas fui criada na cidade de Juruti-PA, onde minha família reside. Atualmente, moro em Curitiba na comunidade do postulado latino-americano e Moçambique, pois sou Postulante das Irmãs da Divina Providência.

Moro com as Irmãs há 2 anos e 8 meses e aqui, nesse diário, partilho um pouco do que é ser postulante e um pouco da minha história vocacional.
Entrei no postulado há seis meses, no dia 25 de março deste ano. Para mim, este é um tempo para crescer no conhecimento da pessoa de Jesus Cristo e cultivar um relacionamento pessoal com Ele. É uma etapa em que me preparo para dar início à vida religiosa

Continuo desejosa e convicta de que quero seguir a vida religiosa como Irmã da Divina Providência!

Costumo dizer que a minha vocação está sendo lapidada. Deu-se início aos 13 anos, a partir de um encontro vocacional promovido na comunidade onde eu participava, e, desde aquele dia, um desejo imenso de servir a Deus cresceu em meu coração. Mesmo assim fiz a experiência de namoro, festas e trabalho. Tinha sonhos de concluir o Ensino Médio e começar logo a faculdade, então fui em busca de meus sonhos em outra cidade.

Dois anos antes de concluir o Ensino Médio, ao participar de um retiro, conheci Irmã Valmi. O jeito dela me encantou, e confesso que reavivou uma chama em meu coração, porém tinha medo e tentei escapar. Foi então que Deus novamente usou outro meio de chegar até mim. Por meio das redes sociais enviou Irmã Márcia, também da Divina Providência. As duas me acompanharam e me motivaram a uma resposta livre e corajosa ao convite de Deus.

Desde que conheci a Congregação, o que mais me encanta no Carisma das IDP é essa imensa confiança e fé no Deus Providente, o abandonar-se nas mãos Dele e deixar que Ele aja em nossa vida, nas dificuldades e conquistas, nas tristezas e alegrias… Me anima e ajuda em minha vocação ter a possibilidade, desde agora, de conhecer e viver desse carisma e espiritualidade em vários contextos da vida e missão e, principalmente, nos locais onde sou engajada. Somos testemunhas da Esperança do amor de Deus Providência!

Não é tarefa fácil deixar que Deus cumpra sua obras em minha vida. Contudo, não estou sozinha. Reconheço e agradeço às diversas ajudas e apoio que tenho, de modo especial à minha família que, mesmo distante fisicamente, está sempre ligada a mim… Aos meus amigos, às Irmãs da Congregação, as de perto e de longe, à minha comunidade formadora e, de modo particular, à minha formadora, Irmã Rita Maria, que desempenha um papel importante nesta etapa da minha formação.

Marceliane Andrade Marques

Diário 12: vocação de Irmã Roseldis Kuhn

Um Diário de minha Vocação

Sou Irmã Roseldis Kuhn, há 61 anos Irmã da Divina Providência. Tenho, nesta história, uma vida vocacional marcada pela Providência de Deus. Vou contar um fato do início deste caminho.

Minha família é do interior de Nova Petrópolis, precisamente da Comunidade de Pinhal Alto. Com meus pais e irmãos, vivi feliz os anos da minha infância e adolescência. Nossa família, além de viver a fé cristã intensamente em casa, estava muito envolvida na Comunidade da Igreja Local. “É a nossa Igreja”, se dizia. Foi também neste envolvimento comunitário, que despertou em mim a vontade de ser Irmã, mesmo sem nunca ter visto ou conhecido uma Irmã Religiosa. Eu estava com os meus 14 anos de idade, quando uma colega de aula foi com as Irmãs Bernardinas Franciscanas, em Camaquã, e eu queria ir com ela. Externei para meu pai o desejo de ir estudar para ser Irmã e de ir com a Maria, minha colega. A resposta do pai foi: “Tu podes ser Irmã, sim, mas tens 14 anos, quem sabe, fica mais um ano em casa! És ainda nova!” Acolhi o conselho do pai e esperei, para seguir, no ano seguinte, com a minha colega. Aquele ano de espera tornou-se para mim um ano especial: nele eu reconheço o 1º sinal da Providência de Deus em minha vida vocacional. Foi assim:

Parece que Deus gostou da ideia de meu pai e a Divina Providência se aproveitou do momento, entrando no meu caminho, dando-me a oportunidade de conhecer as Irmãs da Divina Providência. Num dia desses, recebi uma carta de uma Irmã da Divina Providência de Arroio do Meio, da Ir. Afonsina Hansen. Ela chegou a saber que eu queria ser Irmã; escreveu-me uma carta muito bonita, parecia ser uma carta caída do céu. Esta me indicou o caminho de me encontrar e conhecer as Irmãs da Divina Providência, na Beneficência Portuguesa de Porto Alegre. Minha mãe e eu, com um guia, fomos para a Grande Cidade – POA. Aí sim! Vendo a alegria das irmãs, o jeito e a missão delas, o caminho estava aberto para tornar-me, também um dia, Irmã da Divina Providência. Com 15 anos de idade, rumei para Arroio do Meio, onde iniciei o caminho que a Providência de Deus havia pensado para mim.

Aos 20 anos, o sonho se tornou realidade, ingressei na Congregação. Posso dizer que minha vida, comprometida com o Carisma das Irmãs da Divina Providência, foi e está sendo uma vida feliz, onde busco ser Sinal da Providência de Deus.

E você, que leu este meu Diário, seja também Sinal da Providência de Deus!

Irmã Roseldis Kuhn