Diário 14: História da Vocação da Irmã Arlete

Diário 14: História da Vocação da Irmã Arlete

Com a idade de 08 anos fiz a Primeira Comunhão. A partir daí comecei a cultivar em mim o desejo de uma vida totalmente voltada à oração. Morávamos bem no interior, o padre vinha uma vez por mês para celebrar a Missa. Não conhecia nenhuma congregação, mas cultivei este desejo passando horas a fio pensando como realizá-lo, à noite perdia o sono e rezava muito e a imaginação dava continuidade à minha oração e assim adormecia. Quando aprendi a ler, peguei o livro de oração da mãe, encontrei a Via Sacra, comecei então a rezar, levava 14 dias pois rezava uma estação por dia, quase decorava, não sabia que era a Via Sacra, mas à medida que ia lendo fazia muitas perguntas e a mãe pacientemente ia respondendo e explicando tudo enquanto fazia comida ou remendava nossas roupas, foi a melhor catequese que tive. A família é a mais bela e melhor escola. Os grandes ideais que nos acompanham na vida, tem sua origem na família.
Morávamos em Barreiros à 7k de Bom Retiro SC e em 1952 nossa família mudou-se para Francisco Beltrão PR. Foi aí que vi Irmãs que davam catequese e não pude participar porque já tinha feito. Com presença das Irmãs senti meu sonho quase realizado, meus pais se opuseram. Nunca tive oportunidade de conversar com elas, pois nos mudamos para Salgado Filho 70k de distância. Lá tínhamos Missa de vez enquando nem era todo mês. Minha mãe não se acostumou no local e queria voltar para SC.

Rezávamos o terço todas as noites, eu recorri para Nossa Senhora, e após o terço em família eu rezava mais um dirigido diretamente a NS de Fátima pedindo duas coisas: o retorno à SC e a realização do meu sonho. Após 5 anos, fomos morar em São José do Serrito SC, perto de Lages. Quando meus iam para a cidade eu pedia para verem se tinha lugar para mim no colégio das Irmãs e sempre voltavam dizendo que não tinha. Certo dia a mãe me contou que nem no colégio eles iam. Dia 20 de janeiro de 1958 o pai falou que dia 11 de fevereiro ele iria à Lages para ver se conseguia vender o milho que colheu, iria com D. Tereza de carona. Não perdi tempo, procurei num baú, peguei minha certidão de nascimento e outros documentos que tinham o meu nome e arrumei duas mudas de roupa pois éramos bastante pobres. Na hora da saída eu disse: pai eu vou junto, e ele não me impediu. Pedi para D. Tereza para ir na casa das Irmãs. Ela me levou no Colégio Santa Rosa/Lages. Foi a primeira vez que me vi frente a frente com uma Irmã. A Irmã superiora Otônia me recebeu e ali mesmo, foi logo dizendo não podia me aceitar, pois, no pensionato não havia mais vaga, e eu dizia: eu durmo até no chão em qualquer lugar, mas eu quero ficar Irmã, nisto chaga a Irmã Otilde e diz Irmã Superiora se Deus chamou a senhora também tem que aceitar. Eu pensei comigo: ‘ninguém me chamou, estou aqui porque eu quero’. Ainda não entendia do chamado à vocação. Foi a minha salvação. Mas quando a Ir. Otônia se despediu do pai ela disse para ele vir me buscar no outro dia e eu escutei, ao me despedir do pai eu disse, se ele quisesse me visitar depois de um mês. Me acostumei logo, alias desde o primeiro dia já me sentia em casa, apesar de ‘chucrinha’, nunca tinha saído de casa. Fui trabalhar com Irmã Otilde que tinha escutado a conversa com Irmã Superiora; me aconselhou muito e me ajudou mais ainda.

Com o primeiro passo dado as resistências em casa aumentaram quando ia de férias, a volta era sempre um drama especialmente por parte da minha irmã mais velha com promeças e ameaças. Fiquei dois anos em Lages, um só trabalhando e outro trabalhando e estudando conclui o 4º ano primário. Tinha uma professora Valdete, muito querida por todos, e escrevi uma frase que ela pronunciou e que a levo quase como um lema de vida: “O QUE MERECE SER FIETO, MERECE SER BEM FEITO”.
Aos Domingos eu tinha folga, então ia para a Catedral e participava de todas as missas do período da manhã, pois o harmônio só funcionava com a ajuda do cata-vento e este era manual. A Irmã Albina era a organista e ficava muito contente pois assim ela não precisava ficar procurando alguém voluntário em cada missa pois ela também tocava em todas as missas.

Irmã Arlene (Carlina Bruder)

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